Virgínia Fulber

 Reparando

com o ser inteiro vejo-te
estou além das pestanas
além das cascas
das emendas
 
dos verbos Manoel ensinou-me
que os enlouquecer é meu direito
das poções de estrelas entre a vegetação
aprendi que a sombra empresta seu braço
 
peito e traço ,
um chapéu me basta !
reparaste  o cintilar
que escapa entre o trançado da palha ?
 
um pingo
de tuas lágrimas
sobre o tapete alaranjado
lago ...
 
espiei  lá fora
ouviste escorrer das línguas
tremulas,entre os dentes,
desejo mordaz ?
 
reparaste na beleza assimétrica ?
brinco de lua
dour´olhando a auricular escuridão ...
ou não ?

            virgínia –além mar poeta

Publicado no Recanto das Letras em 10/02/2008
Código do texto: T853335

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