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Virgínia Fulber
Sentidos
“whitout
music , life would be na error “
( Nietzsche)
ouvir cordas
palavras
poemas
folhas que se despedem
Sopros
alentos
pulsações
riachos
nascentes
marés ....
o frr frrr da brisa a pentear lagoa
flapsflaps das asas dos pássaros ao entardecer
deliciosas águas a pianar
nos telhados
chibum ploft
plim, pling...
gota d´água de
Chopin...
coachares....
lagoares
além mares
sussurrares
deslizantes
violinos de Bach
cravo e harpas
nos bambuzais
pestanejar de
nuvens ao luar
ais, ais, ais
linguajares
AR/quosas/Idades
...H2O2
?
virgínia além mar dez/2006 < Ouvindo
Prelúdios de Chopin (interpretados por Martha Argerich)Com destaque nº
14, em Mi Bemol Menor, allegro .
“Prelúdio da Água Corrente”,mimetizando o som da água em seu lento
escoamento, duas mãos ao teclado, evocando um uníssono.
Chopin vai além dos modelos clássicos , dizia Arthur Moreira Lima, ser
este prelúdio o tagarelar das duas mãos sob o piano... E , entre outros
o de nº 8, em Fá Sustenido Menor: molto agitato. Que Liszt apelidou
de “Prelúdio da Gota d’água”.
ouvindo coisas
naquela tarde
deitei ouvido na seda
nela mais aguda
ouvi voz de libélula
amarela com pintas pretas
nas aspas e
entre elas
um cochicho de cachoeira
mel e cera tamborilando no ouvido
música danada de bonita
ajeitou seda em dança
na fineza de tarde mansa
virgínia f. além mar 03/12/2006
“Não
posso sentar perto de um riacho sem cair num devaneio profundo, sem
rever a minha ventura... Não é preciso que seja o riacho da nossa casa,
a água de nossa casa. A água anônima sabe todos os segredos. A mesma
lembrança sai de todas as fontes.” ( Gaston Bachelard
(G. Bachelard ”A
Água e os Sonhos. Ensaio sobre a Imaginação da Matéria)
....“os regatos e os rios sonorizam com estranha fidelidade as paisagens
mudas, que as águas ruidosas ensinam os pássaros e os homens a cantar, a
falar, a repetir, e que há, em suma, uma continuidade entre a palavra da
água e a palavra humana”
.......................
“....A água, agrupando as
imagens, dissolvendo as substâncias, ajuda a imaginação em sua tarefa de
desobjetivação, em sua tarefa de assimilação. Proporciona também um tipo
de sintaxe, uma ligação contínua das imagens, um suave movimento das
imagens que libera o devaneio preso aos objetos (…) (G.
“O
silêncio é o despertador da poesia. Então quando os poetas escrevem,
mais quietos que onça na calçada, a palavra se espreguiça toda, levanta
da cama e amanhece." (
Manoel de Barros )
10/dezembro/2006
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